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A experiência faz parte do produto

Em um restaurante durante uma viagem, compramos mais do que comida. Compramos um pedaço do prazer de estar ali. Esse texto, especificamente, trata de opiniões pessoais, portanto… sintam-se livres para pensar e dizer o contrário.

 

Há poucas semanas, fui conhecer Roma. A cidade é encantadora, mas depois de um tempo era já irritante o modo como os restaurantes abordavam os milhares de turistas de uma forma quase agressiva para almoçar ali. Até aí tudo bem, a concorrência é grande. Mas o que mais incomodou é que eles ficavam tentando falar com as pessoas em várias línguas, como se a cada um coubesse um rótulo: “você tem cara de espanhol, então ‘Buenos días, ¿quieres comer?‘ é o ideal”. Ou, na dúvida, falam logo em inglês, mesmo que o “cliente” pareça italiano. Tem também os casos em que vão tentando cumprimentar em várias línguas, até a pessoa responder.

 

Reparem também o detalhe do “quer comer?”, que parece não ser agressivo na versão italiana, mas traduzido assim, ao pé da letra, soa – digamos – pouco sofisticado para nós.

 

Comecei a questionar por que fazem isso. Se estou na Itália, meu único objetivo não é ver o Coliseu pessoalmente, mas também me sentir naquele país. A língua faz parte da experiência, e é também uma das razões porque procuro pratos típicos e não um McDonald’s. Por que, então, não me saúdam com um “Buongiorno”, e só depois tentam a comunicação em outra língua? Para mostrar que podem se comunicar não é, porque eles quase nunca são capazes de se comunicar na mesma língua em que tentam “convidar” o turista, com exceção do inglês.

 

Ok, a maioria das pessoas que passam por ali talvez não entenda italiano. Mas qualquer palavra que se dissesse nessa situação soaria como um comprimento. Além do mais, qualquer restaurante em lugar turístico na Europa tem pelo menos um cardápio em inglês, não seria um problema para o turista ouvir uma única palavra em italiano.

 

Como disse, esse texto são opiniões pessoais. Talvez alguém aí se sinta mais confortável quando ouve a própria língua em um outro país. Ao contrário de mim, que prefiro estar inserida, de alguma forma, naquele contexto. Por isso, como uma criança que faz pirraça, rejeitava qualquer coisa que me fosse oferecida em uma língua diferente de italiano (ninguém tentou o português, mas mesmo que tentasse). Cheguei ao cúmulo de ver duas pessoas de um mesmo restaurante falar comigo, um em italiano e outro em inglês, e ignorar o que tentou o inglês. Pedi uma mesa (em italiano) ao que tentou a abordagem em italiano.

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